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"Se houvesse aconselhamento dissuasor, na prática o aconselhamento seria sempre obrigatório", justificou o porta-voz do PS.
Óbvio. Mas esse não é precisamente o objectivo de todos? A ideia não era diminuir o aborto, em especial o feito em condições precárias?

Acrescento ainda: Aconselhamento facultativo serve para quê? Para fazer de conta? (Para que serve então o aconselhamento, para encorajar?...)

The speaker for the ruling party in Portugal (the left wing socialists) announced that in order to have a dissuasive counselling it would have to be compulsory. Pretty obvious, right? So why is he then proposing that the counselling to be optional? What's the point of counselling if not to dissuade? Is it to encourage?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, março 02, 2007

A pergunta que vai dia 11 deste mês a referendo é:

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»


A pergunta não é:

"Acha que mulheres devem ser enviadas para a cadeia por abortar?"

"Acha que a pena de prisão é a pena mais ajustada?"

"Quer uma vida justa e digna para as mulheres?"

"A mulher tem os mesmos direitos que o Homem?"

"É contra as mulheres serem criminosas?"

"A mulher pode fazer tudo o que lhe apetecer com o corpo?"

"A vida humana só começa depois das 10 semanas?"

"Quer acabar com o aborto clandestino?"

(O aborto clandestino custa 25€, feito por comprimidos, disponível pela Women on Waves)


A pergunta a referendo não é nenhuma dessas.

A pergunta que vai a referendo é se o acto de interromper uma gravidez por vontade da mulher deve ou não ser penalizado. Não as mulheres, mas o acto. Se este acto é portanto condenável ou não.

Ninguém quer mulheres na prisão, nem aborto clandestino, ninguém quer isso. E também poucos querem a Interrupção de Gravidez (apenas em casos de extrema necessidade a defendem).

O que para mim é extraordinário é que ambas as facções em contenda (ou a esmagadora maioria destes) concordam com a actual Lei para depois das 10 semanas. Ou seja que a Interrupção de Gravidez deve ser punida, excepto em determinadas circunstâncias. O que de mágico acontece entre a semana 9 e a 11 é que ninguém explica.

O que me deixa indeciso:

Concordo com o combate ao aborto clandestino?
Sim!

Concordo a criação de condições no SNS ou clínicas para que quem realmente precise possa abortar? Sim, isso já acontece, talvez houvesse outras excepções que a Lei pudesse considerar.

Concordo que quem se submeta a uma IVG, deva prestar serviço comunitário em Lares de terceira idade ou apoiar financeiramente instituições sem fins lucrativos de apoio a grávidas ou famílias carenciadas?
Obviamente e absolutamente. É uma pena ajustada.

Concordo com o pressuposto na pergunta em Referendo? Tenho muitas dúvidas se será o "Sim" ou o "Não" a melhor escolha, os argumentos das duas partes são extremistas e disparatados. Só vejo advogados e juristas a discutir quando começa a vida, e profissionais de saúde a discutir a aplicabilidade de Leis, economistas a falar de danos psicológicos, e psicólogos a comparar custos e estatísticas. Não deixa de ser curiosa a posição sem excepção que têm as organizações de apoio a grávidas e famílias carenciadas, que trabalham todos os dias quase sem recursos e muitas vezes na base do voluntariado. Terão medo de ficar sem trabalho, ou será que acreditam no que fazem?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Depois de ler este artigo de opinião sobre o referendo do aborto, estou tentado a por mais uma cruzinha em Fevereiro, "Sim, se a Lei fosse igual à alemã"

E porquê? Porque simplesmente a Lei alemã levanta as minhas reticências quanto à IVG, mormente quanto a ser usada como método de planeamento familiar, e quanto à IVG não poder ser um capricho, devaneio ou a solução mais fácil.

Como pode uma Lei semelhante ser tão diferente? Dois aspectos fundamentais: para além de obrigar a visita a um centro de aconselhamento, o que só por si já me faria ter menos hesitações, obriga a um prazo mínimo de 3 dias entre o aborto e o aconselhamento. No mínimo, criam-se deste modo mais condições para uma escolha informada e reflectida.

No fundo é pôr o jarro das bolachas numa prateleira da despensa e não na mesa em frente à televisão. Será que quem tem fome a pode saciar? Claramente. Será que quem não tem fome pensa duas vezes antes de arruinar a dieta? Restam-me poucas dúvidas.

Será que uma consulta de aconselhamento daria a uma mulher mais ou menos liberdade de escolha que o aborto voluntário?

Portugal faces a repetition of a referendum held a few years ago on what is called "voluntary pregnancy interruption", an euphemism for abortion. If the German Law demands a counselling meeting which must take place at least 3 days previous to the abortion, the portuguese proposition calls for the abortion to be decided by the women alone up to the 10th week, and a crime punishable with up to 3 years after that.

In particular left wing political parties have come forward claiming a "No" in the referendum would be a political defeat, as well as some Priests have announced to excommunicate
those voting "Yes". Unfortunately the discussion is centred on the scientific definition of life and on individual liberties for women, and not on the merits or weaknesses of the Law proposed.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on segunda-feira, janeiro 22, 2007