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Portugal é provavelmente o país onde o fim da crise já foi decretado mais vezes. Se há Ranking que podemos liderar é esse! E continuamos a assistir a mais do mesmo. Sempre que sai uma estatística minimamente positiva, aparece o Primeiro-Ministro todo galante a anunciar que está tudo resolvido por ele. Logo a seguir sai outra estatística negativa, e como dizem os nossos irmão brasileiros, “cadê ele?” Não, não falo do Sketch dos Gatos Fedorentos, falo da realidade.

Ontem José Sócrates falava feliz do princípio do fim da crise e dos sinais de retoma, do tal crescimento do PIB em 0,3% que é o sinal do fim da crise. O Economia e Finanças desmonta completamente esta ilusão. É que ao mesmo tempo que o INE anuncia a previsão de PIB referente ao segundo trimestre, e sublinhe-se previsão, reviu em baixa a previsão que tinha feito em relação ao primeiro trimestre. Este valor de 0,3% é assim extremamente incerto, certamente sujeito a revisão. Será sempre próximo de 0%, e pouco sentido faz discutir se é +0,1% ou –0,1%. É importante de sublinhar que Portugal tem PIB com um decréscimo de mais de 3,5% em relação ao período homólogo do ano passado, e esse ano já era de crise.

O FMI ao analisar este dados alerta que a Economia portuguesa é puxada pelas europeias, e só subirá quando estas subirem, assim como desceu devido às mesmas descerem. E tendo em conta o vizinho espanhol, fica um alerta muito sério.

Hoje o INE divulgou os números do desemprego. Sobe para 9,1%, o pior valor desde 1987. Hoje as declarações falam da necessidade de "sangue frio" para esperar pela retoma...

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, agosto 14, 2009

Ouvi hoje de manhã na rádio um dos candidatos a Primeiro Ministro a anunciar o lançamento das suas propostas, e a dizer algo como “é preciso ter ideias, ter um plano, e não ter vergonha das suas ideias”.

Isto fez-me rapidamente ir ler com atenção o último programa proposto pelo mesmo, “PROGRAMA DO XVII GOVERNO CONSTITUCIONAL 2005-2009”. Na página 8 são traçados alguns rumos:

Portugal precisa de um rumo. A agenda do Governo para retomar o crescimento da nossa
economia, de modo a integrá-la na sociedade do conhecimento, consiste em:
· Recuperar a confiança e mobilizar a capacidade dos portugueses para enfrentar
dificuldades e rasgar novas fronteiras;
· Lançar um ambicioso Plano Tecnológico, convocando o País para a sociedade da
informação, para a inovação, para a ciência e a tecnologia, e para a qualificação dos
recursos humanos;
· Promover a eficiência do investimento e das empresas, apoiando o
desenvolvimento empresarial, promovendo novas áreas de criação de emprego,
desburocratizando e criando um bom ambiente de negócios, estimulando a
concorrência, garantindo a regulação e melhorando a governação societária;
· Consolidar as finanças públicas;
· Modernizar a Administração Pública para facilitar a vida aos cidadãos e às
empresas e para adequá-la aos objectivos do crescimento.
A agenda económica do Governo tem como objectivo aumentar, de forma sustentada, o
crescimento potencial da nossa economia para 3%, durante esta legislatura. Só com o
crescimento da economia poderemos resolver o problema do desemprego e combater as
desigualdades sociais. Portugal deve ter como objectivo recuperar, nos próximos quatro anos, os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura.

Os destaques fui eu que os fiz. Antes, na página seis do mesmo documento, estava feito um resumo:

Em suma, a política do Governo desenvolver-se-á em torno de cinco grandes eixos:
· Retomar o crescimento da economia de forma sustentada e visando a
modernização do País, fazendo do conhecimento, da inovação, da qualificação
dos portugueses e da melhoria dos serviços do Estado os caminhos do
progresso;
· Reforçar a coesão nacional, numa sociedade com menos pobreza e com mais
igualdade de oportunidades, onde os instrumentos de coesão sejam também
ferramentas para o crescimento e a modernização;
· Melhorar a qualidade de vida dos portugueses num quadro sustentável de
desenvolvimento, onde a qualidade ambiental, a defesa dos consumidores e a
melhoria dos indicadores de bem-estar sejam uma realidade e onde a coesão
territorial
seja, ela também, um factor de progresso do País;
· Elevar a qualidade da nossa democracia, reforçando a credibilidade do Estado e
do sistema político e fazendo dos sistemas de justiça e de segurança
instrumentos ao serviço de uma plena cidadania
;
· Valorizar o posicionamento do País no quadro internacional, quer no plano
prioritário da União Europeia, quer no plano global, relançando a cooperação
externa, valorizando a cultura e a língua portuguesa no Mundo e construindo
uma política de defesa adequada à nossa inserção na comunidade
internacional.
A situação, ninguém o ignora, é muito difícil. Portugal enfrenta problemas complexos, que não podem ter uma solução imediata. Mas é clara a nossa tarefa, como é clara a nossa ambição: transformar o Portugal das fatalidades, no Portugal das oportunidades.

Qual foi então o progresso em cada um dos cinco eixos? A Economia vive tempos difíceis, mas será que não se repete o discurso das fatalidades (ver sublinhado)? A coesão social será possível quando há cada vez mais crivações entre as classes, professores, juízes, etc? Quais serão os indicadores de bem-estar (acesso à saúde, à educação, a informação)? De modo gratuito ou pago? Contribuirá para a coesão territorial todos os grandes projectos serem na área da capital? A credibilidade no sistema político choca com os números da abstenção, e os sistemas de justiça e segurança pouco têm feito pela cidadania, pelo contrário, os polícias são vítimas de violência e os juízes têm medo dos novos edifícios dos tribunais, como é que vamos melhorar a cidadania? Sobre a valorização da cultura e língua não me posso pronunciar, temos tidos grandes expoentes como Saramago ou Mariza, mas não sei mesmo em que medida a acção do Governo os tem ajudado.

Vão-me dizer que estou no bota-abaixo, a ser pessimista, que Portugal está muito melhor agora, que nem falei no magalhães. Ouçam, quem definiu os “cinco grandes eixos” não fui eu. Não estou a dizer que tudo é mau ou horrível, estou apenas a citar o programa, e acho justo que se avalie a execução do programa pelo que o programa promete cumprir, e não por qualquer métrica arbitrária. Sim, temos o programa SIMPLEX na administração pública que melhorou muito a vida dos portugueses, a Loja do Cidadão, a entrega do IRS pela Internet. O programa Novas Oportunidades, que se não conferiu qualificações, pelo menos conferiu certificações, o que é importante para atrair investimento. Obviamente que nem tudo é mau.

Eu sugiro-vos que façam vocês o vosso balanço entre o rumo que foi proposto, e quanto se progrediu nesse rumo.

E vejam então a relação entre a vergonha e a política, se temos políticos envergonhados, ou políticos sem-vergonha.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, julho 24, 2009

Depois de mais um episódio de gaffes ou expressões menos felizes, como preferirem, fico com a minha convicção reforçada. Dos dois líderes dos principais mais votados partidos nacionais, um faria fortuna vendendo pentes a carecas, enquanto que o outro mesmo a vender água no deserto passaria por dificuldades.

Só tenho mesmo pena é que se centre a discussão em pormenores ou artifícios de linguagem, e não se discuta medidas ou propostas em concreto. A linguagem tem a sua importância, mas estamos aqui a discutir metáforas, e sim, dizer uma coisa num dia e outra no outro é grave, mas estamos a pegar em metáforas fora do contexto e sem interesse, passo a explicar:

O que eu queria saber é o que cada um dos candidatos pensa sobre o RMI, se acham que está ou não a ser bem aplicado. Se deveria ser alargado ou extinto. Se o pagamento especial por conta é para continuar ou para acabar. Se as taxas moderadoras na saúde devem ou não ser proporcionais à declaração de IRS, ou se devem ser eliminadas. Se o Ensino Superior deve ser financiado pelo Estado ou pelas propinas.

O que eu queria era que discutissem medidas concretas e não pormenores de retórica, de linguagem.

Num contexto de crise económica entendo que um queira vincar que quer uma rotura com o rumo actual, mas se a discussão entrar no campo das expressões e afirmações marcantes, isso é ir enfrentar o leão dentro da sua toca. Tinha muita pena se fosse nesse ringue que decidisse o rumo da próxima legislatura.

Discutam antes se o TGV deve ou não parar em Rio Maior, se a produção de leite nacional justifica obstáculos à importação, se o Estado deve controlar directamente ou indirectamente meios de comunicação privados, se o ensino obrigatório deve ir até aos 18 ou 16 anos, a aposta nos genéricos, o encerramento dos centros de saúde e aposta em meios do INEM, como responder à violência nos bairros sociais, são essas as questões que para mim importam ou deviam importar aos portugueses.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, julho 10, 2009

Agradeço já à Teresa Sarmento por me ter chamado à atenção para este o site, o EUProfiler. Com base numa série de perguntas simples e claras determina o vosso perfil. Mas mais que isso analisa o alinhamento do vosso perfil com os diversos partidos do vosso país e ainda dos restantes da União Europeia. Experimentem, e digam o que acharam! Eu adorei.

With a few simple and clear questions EUProfiler determines you political allignment. Not only with the national parties, but also with the remaining european parties. Try it out and find out more about yourself even. I really enjoyed it, and you?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, maio 27, 2009

Nos dias que correm poucos são os que não se demonstram desiludidos com rumo e direcção que norteiam este país à beira-mar plantado e muitos desses se indignam ainda mais quando analisam as ofertas de alternativas. Isto num ano em que ainda vamos ter três sufrágios.

Bem pelo menos uma coisa se torna certa. Aqueles que frequentemente são acusados de muito anunciar, de re-anunciar aquilo que anunciaram, e de construírem um país de aparências e ilusões, sabem bem o que fazem. Sócrates contratou a equipa trabalhou com a campanha de Obama para as Legislativas.

Pelo menos quanto a manter as aparências estamos conversados. Espero honestamente que do lado de conteúdos, de propostas, e de políticas (no sentido saxónico do termo) haja uma preocupação equiparada, pois é realmente disso que precisamos e muito.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, maio 13, 2009

Vou ser-vos honesto, não costumo ver o Telejornal da TVI, pela duas simples razões. A primeira é que a minha recepção em casa limita-se a um garfo espetado na televisão. Esta “antena” permite-me ver muito bem a RTP1 em VHF, e razoavelmente a RTP2 em UHF. Os restantes SIC e TVI dependem de uns “jeitinhos” a dar à antena. Eventualmente a TDT poderá “revolucionar” este esquema, mas adiante. O segundo motivo é o horário. Como janto nos meus sogros, e eles afortunadamente optam conscientemente por manter a televisão desligada durante as refeições, acabo por chegar a casa depois das 20h30, e fico muito bem servido com o Jornal das 21h00 na RTP2, e a série que se segue.

Fiquei contudo muito impressionado com estas declarações de José Eduardo Moniz. E dou-lhe toda a razão, a única coisa a que se assistiu foi desviar para canto, traulitar acusações, e não responder em nada à seriedade das investigações que estão a decorrer.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, maio 06, 2009

Em ano de eleições, é vulgar que surjam situações invulgares, e afirmações ridículas, mas para tudo há limites. Ontem ouvi esta frase e só não me caiu o queixo porque mais era impossível.

É que o processo Freeport (ou Fripór, como alguns ignorantemente lhe chamam) foi reaberto porque as autoridades inglesas descobriram evidências de fraude fiscal. Ou seja dinheiro que rumou de Inglaterra a Portugal e aparentemente se esfumou. Só e apenas isso, absolutamente mais nada.

Charles Smith aparentemente, ou pelo o que as “fugas de informação” indicam, estará a apontar o destino dessas verbas a luvas ao Governo da altura, que aprovou de forma invulgar o licenciamento que já tinha sido recusado. E estou a usar os termos mais brandos que consigo, mas o sumo da questão é este, e mais nada.

Esta balela de “tentativa de assassinato” ultrapassa os limites do ridículo, e em vez do dedo apontado à “campanha negra” que não tinha face nem rosto, agora até já se aponta o dedo aos partidos da oposição. Que descaramento! É que este processo Freeport estava enterrado e bem enterrado. Só veio à tona porque o fisco inglês descobriu que o dinheiro sumiu. Será que o Fisco inglês quer assassinar politicamente o Primeiro-Ministro português.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, abril 22, 2009

Ouvi as declarações do governador do Banco de Portugal na rádio. Fiquei surpreendido e fui procurar conhecer em detalhe as mesmas. Estão disponíveis no site do Banco de Portugal. Recomendo vivamente a leitura das cinco páginas.

Permitam-me que seleccione os pontos que achei fundamentais, das recomendações que VC faz, após constatar o estado dramático da Economia (afinal não vai ser crescimento zero, nem estagnação, vai ser mesmo recessão e de –3,5%):

[…] princípios gerais a que deveriam obedecer os programas orçamentais:
«‐ Concentrarem‐se em despesas de investimento de imediata realização e rápido acabamento para não implicarem grandes despesas futuras. […]
‐ […] melhorias temporárias das condições e duração dos subsídios de desemprego)
‐ Evitarem descidas gerais de taxas de impostos que se tornam difíceis de reverter no futuro […]
‐ […] evitarem apoios discricionários a sectores inteiros de actividade.
‐ Preverem desde já a eliminação futura de algumas das medidas agora adoptadas […].»

Curiosamente todas as medidas propostas por VC vão contra o rumo que tem vindo a ser tomado pelo Governo, nomeadamente a promoção de investimentos de longo prazo que implicam despesas futuras (lançamento de concursos), descida de impostos, e apoios anunciados a sectores de actividade. O último ponto então parece-me claríssimo, e uma forma de dizer “não continuem mais assim”. Estará VC a adoptar uma postura de confrontação das medidas do Governo. Há alguma coerência, já que VC sublinha a necessidade de manter o défice controlado, e todas as medidas que critica fazem exactamente o oposto. ´

Será caso para dizer “E esta, hem?”, ou será que em ano de eleições as regras e o bom senso não precisam mais de ser respeitados?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, abril 15, 2009

Este país à beira-mar plantado é mesmo engraçado. Ele há cada coincidência…

Como diz o outro, “Só por muita má fé se pode encontrar relações propositadas nestas coincidências”

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, março 19, 2009

Ou antes, a Presidência da República melhor dizendo:

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Posted by Carlos Manta Oliveira on terça-feira, janeiro 27, 2009

Porquê tanta aflição com a decisão do Governo em autorizar o ajuste directo em obras onde até agora era obrigatório o concurso público?

Bem... vejamos alguns exemplos:

A Ansol publicou hoje o Portal da Transparência na Administração Pública, para “resolver as muitas dificuldades existentes na pesquisa e navegação no site oficial Base”.
Vai daí hoje não se fala de outra coisa na blogosfera, ora não se tratasse do dinheiro de todos nós, contribuintes.

Desta forma é possível ver alguns contractos públicos por ajuste directo, que organismos públicos fizeram em ano de contenção:

- Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”, para a Divisão de Obras Públicas Municipais do Município de Beja: 6.572.983,00 €
- Iluminação natalícia para arruamentos na cidade de Estremoz: 1.915.000,00 €
- Aluguer de uma tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines:1.236.500,00 €
- Aquisição de 1 POS e 1 impressora para o SASU da Madeira: 598.400,00 €
- Videoprojector para a Câmara Municipal de Loures: 52.000,00 €
- Toner impressora HP P2015 para a Administração Regional de Saúde do Centro:45.600,00 €
- Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00€
- Aquisição de 3 scanners Fujitsu FI5750C para o INFARMED: 30.798,48 €

Fonte: Tux Power

Nome entidade adjudicante: Municipio de Vale de Cambra
AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS
Preço do contrato (Euro): 2.922.000,00 €

Nome entidade adjudicante: Administração Regional de Saúde do Alentejo, I. P.
1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas

Preço do contrato (Euro): 97.560,00 €

Nome entidade adjudicante: Município de Ílhavo
Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores opticos
Preço do contrato (Euro): 380.666,00 €

Fonte: Blasfémias

Data de registo: 14-01-2009

Nome entidade adjudicante

Administração Regional de Saúde do Centro,IP

Nome entidade adjudiatária

Quinta das Janelas

Objecto do contrato(descrição sumária): Festa de Natal

Preço do contrato (Euro): 8.283,00 €

Fonte: Portal do Governo

Em ano de eleições vai ser bonito. O Ajuste Directo e a corrupção andam de mãos dadas frequentemente. É até sabida a irritação de Cravinho com a posição do PS sobre a corrupção.

"O presidente do grupo [Alberto Martins] disse que o fenómeno existia, mas que Portugal não estava numa situação particularmente gravosa. Pelo contrário, nas comparações internacionais estava muito bem. Fiquei de boca aberta", disse então João Cravinho.

Fonte: Expresso, 16 de Janeiro de 2009

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, janeiro 16, 2009

Lá diz o povo, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um côxo."

Ainda hoje, e cada vez mais me admiro com a acuidade da sabedoria popular.

Isto a propósito de uma entrevista do Primeiro Ministro a uma televisão privada, em que teve o desplante de afirmar o seguinte: "ninguém tinha consciência da dimensão da crise".

Referia-se ao facto de o Orçamento de Estado para 2009 (o tal da Pen que não funcionava), aprovado na Assembleia da República em 28 de Novembro, ter sido já duas vezes alterado, com dois anúncios de pacotes de medidas rectificativas. O primeiro dos quais levou o Presidente da República a pedir explicações ao Governo antes de o promulgar, a 30 de Dezembro.

Como todos se recordam, a oposição votou toda contra o Orçamento, sendo unânime ao classificar as previsões e cenários de crescimento de 0,8% do PIB como irrealistas e sonhadoras, dada a conhecida conjunctura.

Mesmo a OCDE publicou estimativas de crescimento negativo do PIB (recessão) de 0,2%, ainda antes do Orçamento de Estado ser votado. A todos Sócrates apelidou de pessimistas, e de desconhecerem a realidade de Portugal, e fez aprovar o Orçamento proposto pelo Governo.

Curiosamente as novas estimativas do Governo prevêm que o défice possa atingir os 3%, e antecipa o crescimento do desemprego, exactamente o mesmo que a OCDE previa em Novembro.

Uma coisa é certa, as previsões do Governo nunca batem certas nem com as da OCDE, nem com as da UE, nem com as do FMI. A não ser depois das correcções, claro está, em que as previsões "pessimistas" são afinal as que se confirmam.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, janeiro 08, 2009

Leiam estas elucidativas declarações sobre o aumento do rendimento disponível das famílias para 2009.

Segundo o eloquente orador, "três componentes aumentarão o rendimento disponível das famílias para 2009":

  • "baixa da Euribor e da baixa da taxa de juro"
  • "uma inflação mais baixa"
  • "baixa do preço do petróleo, ajuda que se sentirá também ao nível da economia portuguesa"

Mas agora expliquem-me como se eu tivesse oito anos. A que propósito vem o orador anunciar estes "resultados"? Em que é que a acção do mesmo contribuiu para os resultados? O que foi feito para superar a crise?

Sinceramente estando muito feliz por ver que o pior da tempestade já passou,  porém é muito triste ver alguém pretender chamar a si os louros de algo em que não teve a mínima influência.

Será que em Feveiro vai anunciar que os dias ficarão mais longos, e a temperatura vai gradualmente subir?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, dezembro 04, 2008

 

Adivinhem a autoria da seguinte citação:

Tenho-me sempre pronunciado no sentido de que não é possível, em democracia, fazer uma reforma do ensino contra a vontade generalizada dos professores, como fazer uma reforma da saúde contra os médicos e os enfermeiros ou uma reforma da justiça contra os magistrados.

Quem é que disse isto?

Pista: Foi no Diário de Notícias, de 18 de Novembro de 2008.

Vejam e surpreendam-se, ou talvez não.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, novembro 20, 2008

Após 5 anos à espera que a Câmara Municipal construisse uma rotunda num cruzamento muito movimentado, um grupo de cidadãos decidiu... construí-la!

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, outubro 10, 2008

A Blogosfera Nacional tem estado inflamadíssima quanto ao anúncio do novo portátil Magalhães. Mais que desmontar o novo portátil, eu diria que o despedaçaram.

No Blasfémias dão conta de que o Magalhães é na verdade, um re-branding local do ClassmatePC da Intel, e que o "Made In Portugal", na práctica é montado sobre licença da Intel.

Já o Público dá conta que o agora anunciado acordo, na realidade data de Outubro, e remete mesmo a iniciativa para um programa da Intel para países sub-desenvolvidos (ou emergentes).

Na minha opinião esta iniciativa, marketing político à parte, acaba por ser positiva, se realmente se puser nas mãos das crianças em idade escolar um computador ainda que básico. Não é preciso um Ferrari para aprender a conduzir, apenas algo que satisfaça as necessidades. Por outro lado a uniformização (todos terem o mesmo) não deixa de ser interessante. Até pode ser que resultem mesmo resultados inesperados, e que por exemplo os professores decidam publicar mais conteudos multimedi e distribui-los, eventualmente até ao espaço lusófono.

Agora falta ainda saber, como mencionei num post anterior, quais vão ser afinal as caraterísticas e especificações do Magalhães, a tal névoa continua a pairar, assim como sobre o preço (ok, 50€, mas com fidelização a redes móves, a Internet de banda larga, e por queal duração?)

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, agosto 06, 2008

 

É caso para perguntar, quem é que policia a polícia. Estes esquemas deitam abaixo qualquer credibilidade que instituições dete calibre queiram ter. E vocês, confiam em quem elegeram?

A very brave investigation on german members of the parliament and the misuse and abuse of our money. Schemes like this mine the credibility of these institutions. Do you trust who you elected?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on segunda-feira, julho 28, 2008

João Soares, ex-presidente da câmara de Lisboa, desmonta todos os argumentos para o encerramento da Portela.

Recomendo que vejam a reportagem fantástica que a TVI fez no link acima, pouco mais de 4 minutos. É um documento extraordinário. Portela está absolutamente sub-utilizada comparada com outras capitais europeias, e a necessidade de aumento de capacidade é uma grande falácia.

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(Comparação entre os aeroportos de Portela e de Gatwick)

Via TAF

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, junho 26, 2008

Gostei em especial do que dizem sobre a incineração.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, maio 30, 2008

Não, não começo logo com um erro de grafia este texto. O que educação precisa não é de um conserto no sentido de precisar de ser arranjada, mas sim de alguém que a saiba dirigir, como um Maestro dirige um concerto.

Isto vem a propósito do anúncio de mais 30 milhões de euros investidos em melhorar as escolas.

Um concerto não é para o maestro, nem para os músicos, nem para o público, unicamente. É o concertar de todos os interesses e performances que tornam um concerto magnífico, e que o podem melhorar.

Quando se está perante um mau concerto, o que se pode melhorar?

- Melhorar as condições da sala do concerto. (certamente permite ao público ouvir melhor, em mais conforto)

- Adequar a peça escolhida aos interesses do público. (oferecer algo de novo e que acrescente valor, sendo interessante)

- Melhorar os músicos (com mais formação ou incentivo)

- Trocar o Maestro (quando o Maestro não consegue por os músicos a tocar, quando o Maestro não sabe interpretar a peça de música, ou quando simplesmente não se interessa pelo público)

Eu não diria que é preciso reparar a educação. O sistema educativo português é comparável aos melhores da Europa. Os alunos que vão em Erasmus geralmente têm sucesso. Há que comparar e melhorar o sistema, mas não é verdade que preciso ser reparado.

Outra coisa é perguntar se a qualidade dos concertos tem vindo a melhorar ou a piorar. A métrica de avaliar a qualidade do concerto é complicada. A opinião dos músicos não será sempre coincidente com a do público. E por vezes também é preciso adaptar a peça a ser tocada aos interesses do público. Não basta perguntar a uma das partes.

Contudo investir apenas na qualidade da sala, por modo a que o público não a abandone não chega. Certamente é positivo que o público não abandone a sala, e que a sala seja mais confortável (cantinas, ginásios, computadores com ligação internet, etc). Mas não retirando mérito a essas medidas, serão as mais adequadas?

Tenho a certeza que estão a acompanhar a analogia, e já perceberam também que o problema reside na motivação dos músicos. É que o modo como o Maestro trata os músicos, por mais brio e profissionalismo que estes tenham vai ter influência no espetáculo. No caso parece mesmo que o Maestro e os músicos estão de costas voltadas. Será que melhorar os assentos da sala resolve a questão?

A mim parece-me que é preciso usar de muito mais tacto para orquestrar uma solução de qualidade, e para melhorar efectivamente o sistema educativo. É preciso escolher bem a peça a tocar (especialmente os programas educativos, cursos técnico-profissionais, novas oportunidades, e ajustar os conteúdos programáticos), dar condições de conforto ao público (muito tem sido feito, de cantinas a computores pessoais), mas dirigir e motivar os músicos (Insultar, retirar regalias, e depois dar um prémio ao melhor não me parecem medidas adequadas).

Será caso para mudar o Maestro? Bastará chamar a atenção do mesmo? O certo é que claramento é preciso mudar algo no rumo seguido de modo a que os concertos futuros possam ir melhorando.

Adenda: Na Educação, e nas salas de aula, tal como nos concertos e nas salas se concertos, nada de telemóveis, para não prejudicar os restantes interessados.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, abril 11, 2008