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Fez recentemente um ano que o povo português manifestou a sua vontade e intenção sobre a interrupção voluntária da gravidez. Durante o período de discussão, vi razões e argumentos válidos de ambos os lados, e estive indeciso. Acabei por tomar uma decisão, e votei, assim como votaram imensos portugueses, o que validou e legitimou o referendo e a Lei daí resultante. É um acto importante da Democracia, devolver o poder ao povo, e deixá-lo decidir em temas tão importantes e que fracturam as opiniões.

Passado um ano já muitos discutem os resultados dos primeiros seis meses de aplicação da Lei. Já li muitas parvoíces de ambos os lados, e acho que é disparatado andar a discutir os números neste momento. É simplesmente muito cedo para analizar números, esta altura para mim é importante sim para verificar se a Lei está a ser bem aplicada, e se a Lei resultante do referendo está correcta, se está de acordo com as expectativas, ou se precisa de ser ajustada.

Mais importante ainda é toda a sociedade juntar esforços para que casos como este não se repitam mais.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on terça-feira, fevereiro 19, 2008

Espero ser o meu último post sobre o tema. Vou meramente citar:

Ao ir ao encontro das palavras relativamente moderadas de Sócrates, o PR está a reforçar a exigência de ponderação, admitem aquelas fontes. Para além do "bom senso", pode ler-se das declarações destes dois dias que o PR quer "consenso" entre as várias forças no Parlamento, para que se chegue a uma lei equilibrada.
in Diário de Notícias, 16 de Fevereiro 2007
O projecto de lei do aborto do PS, PCP, BE e Verdes foi votado e aprovado, na especialidade, na Comissão de Assuntos Constitucionais. As alternativas apresentadas pelo PSD e por três deputadas independentes da bancada socialista foram chumbadas.
in Jornal de Notícias, 7 de Março de 2007

Não acho que seja relevante dizer absolutamente mais nada. Os actos dizem mais que as palavras.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, março 08, 2007

"Se houvesse aconselhamento dissuasor, na prática o aconselhamento seria sempre obrigatório", justificou o porta-voz do PS.
Óbvio. Mas esse não é precisamente o objectivo de todos? A ideia não era diminuir o aborto, em especial o feito em condições precárias?

Acrescento ainda: Aconselhamento facultativo serve para quê? Para fazer de conta? (Para que serve então o aconselhamento, para encorajar?...)

The speaker for the ruling party in Portugal (the left wing socialists) announced that in order to have a dissuasive counselling it would have to be compulsory. Pretty obvious, right? So why is he then proposing that the counselling to be optional? What's the point of counselling if not to dissuade? Is it to encourage?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, março 02, 2007

Afinal há muitos consensos na Sociedade Portuguesa.

Toda a gente acha o aborto errado, quando muito solução de último recurso.

Ninguém quer ver mulheres na cadeia.

Todos querem acabar com o aborto clandestino.

Ninguém quer ver a IVG banalizada como o preservativo.

Todos querem dignidade e saúde.

A divergência parece ser então só na maneira de alcançar estes objectivos. Uns acreditam em permitir a IVG como uma criteriosa excepção, outros em deixar ao arbítrio da mulher a decisão.

Será interessante então ver o que se passou na campanha. Será que se procurou as soluções de maior consenso? Uns prometem avançar com propostas de suspensão automática de processos, outros garantem bater-se por períodos de reflexão obrigatório.

Tudo parecia correr bem, não fossem os "malditos" extremistas. Esses são aqueles que nestes oito anos não mexeram uma palha para ajudar mulheres grávidas a resolver os seus problemas, e hoje querem as soluções mais radicais para os sintomas (e não as causas).

Sim, sempre vai haver opiniões mais moderadas e mais radicais. Mas é com muita, mas muita pena que se regista entre os radicais pessoas de muita responsabilidade, que apelam vergonhosamente a um tudo ou nada, que fogem a procurar discutir ideias, soluções e consensos e insistem no tudo ou nada a lembrar o presidente americano: "ou estão comigo ou contra mim".

Pois é, o mundo não é preto e branco, há opiniões cinzentas, e muitos até as expõe publicamente, explicando porque o seu cinzento está mais perto do preto ou mais perto do branco.

São essas as vozes que me elucidam, não as do extremismo.

Por favor, votem no Domingo, e reflictam e respeitem a vossa consciência, pesem a vossa decisão.

Não se trata de uma questão partidária, religiosa ou clubística, trata-se de uma questão de consciência.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A pergunta que vai dia 11 deste mês a referendo é:

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»


A pergunta não é:

"Acha que mulheres devem ser enviadas para a cadeia por abortar?"

"Acha que a pena de prisão é a pena mais ajustada?"

"Quer uma vida justa e digna para as mulheres?"

"A mulher tem os mesmos direitos que o Homem?"

"É contra as mulheres serem criminosas?"

"A mulher pode fazer tudo o que lhe apetecer com o corpo?"

"A vida humana só começa depois das 10 semanas?"

"Quer acabar com o aborto clandestino?"

(O aborto clandestino custa 25€, feito por comprimidos, disponível pela Women on Waves)


A pergunta a referendo não é nenhuma dessas.

A pergunta que vai a referendo é se o acto de interromper uma gravidez por vontade da mulher deve ou não ser penalizado. Não as mulheres, mas o acto. Se este acto é portanto condenável ou não.

Ninguém quer mulheres na prisão, nem aborto clandestino, ninguém quer isso. E também poucos querem a Interrupção de Gravidez (apenas em casos de extrema necessidade a defendem).

O que para mim é extraordinário é que ambas as facções em contenda (ou a esmagadora maioria destes) concordam com a actual Lei para depois das 10 semanas. Ou seja que a Interrupção de Gravidez deve ser punida, excepto em determinadas circunstâncias. O que de mágico acontece entre a semana 9 e a 11 é que ninguém explica.

O que me deixa indeciso:

Concordo com o combate ao aborto clandestino?
Sim!

Concordo a criação de condições no SNS ou clínicas para que quem realmente precise possa abortar? Sim, isso já acontece, talvez houvesse outras excepções que a Lei pudesse considerar.

Concordo que quem se submeta a uma IVG, deva prestar serviço comunitário em Lares de terceira idade ou apoiar financeiramente instituições sem fins lucrativos de apoio a grávidas ou famílias carenciadas?
Obviamente e absolutamente. É uma pena ajustada.

Concordo com o pressuposto na pergunta em Referendo? Tenho muitas dúvidas se será o "Sim" ou o "Não" a melhor escolha, os argumentos das duas partes são extremistas e disparatados. Só vejo advogados e juristas a discutir quando começa a vida, e profissionais de saúde a discutir a aplicabilidade de Leis, economistas a falar de danos psicológicos, e psicólogos a comparar custos e estatísticas. Não deixa de ser curiosa a posição sem excepção que têm as organizações de apoio a grávidas e famílias carenciadas, que trabalham todos os dias quase sem recursos e muitas vezes na base do voluntariado. Terão medo de ficar sem trabalho, ou será que acreditam no que fazem?

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Posted by Carlos Manta Oliveira on quinta-feira, fevereiro 01, 2007
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Posted by Carlos Manta Oliveira on terça-feira, janeiro 30, 2007

Orçamento dos que defendem o "Sim" - 1,4 milhões de Euros (6 partidos e 5 movimentos)

Orçamento dos que defendem o "Não - 0,7 milhões de Euros (3 partidos e 14 movimentos)

(Orçamentos divulgados no Correio da Manhã)

Números curiosos com diversas interpretações possíveis, desde David contra Golias a partidos políticos versus movimentos cívicos.

Uma discussão que infelizmente ameaça resvalar para os extremismos e evitar os consensos.

Não seria preferível procurar uma solução que permitisse a despenalização como as propostas de Freitas do Amaral ou Maria do Rosário Carneiro, mas que não implicasse a liberalização completa da IVG? Ou uma colagem ao exemplo alemão como defende Maria de Belém Roseira, que impõe aconselhamento obrigatório para permitir a IVG, em vez do simples pedido sem necessidade de justificação?

Resta a esperança que seja qual for o resultado deste referendo as soluções de cima venham a ser postas em prática.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on segunda-feira, janeiro 29, 2007

Depois de ler este artigo de opinião sobre o referendo do aborto, estou tentado a por mais uma cruzinha em Fevereiro, "Sim, se a Lei fosse igual à alemã"

E porquê? Porque simplesmente a Lei alemã levanta as minhas reticências quanto à IVG, mormente quanto a ser usada como método de planeamento familiar, e quanto à IVG não poder ser um capricho, devaneio ou a solução mais fácil.

Como pode uma Lei semelhante ser tão diferente? Dois aspectos fundamentais: para além de obrigar a visita a um centro de aconselhamento, o que só por si já me faria ter menos hesitações, obriga a um prazo mínimo de 3 dias entre o aborto e o aconselhamento. No mínimo, criam-se deste modo mais condições para uma escolha informada e reflectida.

No fundo é pôr o jarro das bolachas numa prateleira da despensa e não na mesa em frente à televisão. Será que quem tem fome a pode saciar? Claramente. Será que quem não tem fome pensa duas vezes antes de arruinar a dieta? Restam-me poucas dúvidas.

Será que uma consulta de aconselhamento daria a uma mulher mais ou menos liberdade de escolha que o aborto voluntário?

Portugal faces a repetition of a referendum held a few years ago on what is called "voluntary pregnancy interruption", an euphemism for abortion. If the German Law demands a counselling meeting which must take place at least 3 days previous to the abortion, the portuguese proposition calls for the abortion to be decided by the women alone up to the 10th week, and a crime punishable with up to 3 years after that.

In particular left wing political parties have come forward claiming a "No" in the referendum would be a political defeat, as well as some Priests have announced to excommunicate
those voting "Yes". Unfortunately the discussion is centred on the scientific definition of life and on individual liberties for women, and not on the merits or weaknesses of the Law proposed.

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Posted by Carlos Manta Oliveira on segunda-feira, janeiro 22, 2007

O Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) estima os custos do processo de referendo em 10 milhões de Euros, dos quais 6 milhões correspondem a salários de funcionários de mesas de voto (4) e impressão dos boletins de voto (2).

O Ministro Correia de Campos estima os custos com cada aborto entre 350 a 700€, baseado na realidade em Espanha. Adianta também que o cenário provável é a maioria das IVG ter lugar em clínicas privadas, devido à questão do anonimato (logo não comparticipados), a julgar pelos nuestros hermanos.

O mesmo estima que a realidade do aborto clandestino seja 20 a 30 vezes superior às interrupções de gravidez previstas por lei (cerca de mil por ano), apesar de não haver estudos sobre o assunto.

Todas as notícias sobre o tema estão no site destakes.com

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Posted by Carlos Manta Oliveira on sexta-feira, janeiro 05, 2007